Teses e Dissertações

Sobre Arquivos, Nuvens e Experiências Híbridas: estudo de caso no Museu Nacional – RJ

Tese de Doutorado

A pesquisa aqui apresentada trata de estudo sobre a percepção do espaço arquitetônico mediado pela tecnologia digital de imersão virtual. Ao mesmo tempo, tenta perceber como as tecnologias imersivas e a pluralidade e replicabilidade dos arquivos vêm alterando o nosso modo de projetar e, principalmente, de se relacionar com os espaços construídos, em especial com as preexistências (espaços cujas marcas construtivas originais existem e são reconhecidas pelo público). Seguindo o conceito de Empatia Espacial (LASC/UFRJ), de Ambiências e de Memória, amplia esta questão à relação das pessoas com os espaços circundantes e com outras pessoas. Em um tempo cada vez mais veloz e tecnológico, amparado por redes e dados, é comum enfrentar experiências híbridas, que exigem um aparato que guarda arquivos e nos impelem a construir bases de armazenamento em servidores remotos – as nuvens –, ou seja, a tornar remotas informações que nos servem. Com isso, o acúmulo de arquivos permite que acessemos livremente, mas não sem consequências, informações que almejam um futuro acessível. Esta pesquisa tenta ampliar as questões sobre o processo de arquivo de dados e exploração de memórias, contribuindo para repensar a ideia de captura digital de registro, modelo e depósito em nuvens, e promovendo uma experiência presencial e imersiva, num “encontro” do espaço real com o espaço digital. Para alcançar os resultados almejados, um estudo de caso foi realizado na Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão - RJ, mais especificamente no Jardim Terraço, na parte frontal do Museu Nacional do Rio de Janeiro e na sala de acesso ao museu, que pertence à UFRJ e sofreu um incêndio em 2018. O estudo consistiu na vivência do espaço real seguida de uma imersão virtual desses mesmos espaços. O estado arruinado do interior do edifício não foi veiculado ao público e agora, em processo de restauração, não revelará mais muitos dos traços do incêndio. No entanto, a pesquisa criou um arquivo destes espaços por fotografias 360º, com o jardim e as fachadas já restauradas e a sala com os vestígios do incêndio. Esse arquivo possibilitou um tour simulado de interação imersiva digital, viabilizada por meio de óculos de realidade virtual VR, trazendo à tona a manipulação dos conceitos reverberados nesta tese: o papel de arquivos, de nuvens e da experiência. Foram escolhidos informantes de perfil profissional com ênfase na arquitetura, como arquitetos, pesquisadores, professores de arquitetura e urbanismo ou áreas afins, como artistas, músicos, historiadores, dentre outras profissões, que vivenciaram o edifício do Museu Nacional em tempos anteriores, mas não acompanharam o processo de revitalização. Os informantes foram também interpelados por meio de perguntas estruturadas sobre suas reações e percepções acerca da experiência imersiva. Apesar da temática exigente do ponto de vista da Ciência da Computação, não foi interesse desta tese se aprofundar no caráter configurador dos sistemas e redes e sim, mostrar como os arquivos de replicação do objeto real interferem e amparam a experiência humana. A tese pretende aportar com reverberações para uma prática projetual e de ensino na arquitetura, em prol da experiência perceptível e da qualidade de vida. A pesquisa mostrou que existe uma alteração na percepção espacial quando mediada por aparatos imersivos, mas que o papel desses aparatos é cada vez mais essencial à vida contemporânea. Com a hipótese confirmada pelo experimento proposto, observamos um reforço no valor do arquivo de simulação; ele pode ser um arquivo e ao mesmo tempo um Lugar de Memória, e deverá ser protegido, guardando informações que podem ser mexidas em determinado momento, reforçando o valor temporal do arquivo. É necessário valorar a experiência inicial sem filtros, sem máscaras, sem aparatos, para que possamos acessar essências de percepções com os aparatos. A arquitetura é, em essência, para acolher o Outro, o primeiro abrigo, é preciso reconhecer, entender e valorar o Outro, percebê-lo de modo tal que a obra lhe seja útil. 

LINK DA TESE

Data: 05/06/2025

Pessoa

  • Cristiane Rose de Siqueira Duarte
  • Ethel Pinheiro Santana [Orientador(a)]
  • Fabiola do Valle Zonno
  • Jorge Alfonso Astorga Garro [Autor(a)]
  • Maíra Machado Martins
  • Wilson Florio

Linha de Pesquisa

  • Cultura e Paisagem

Curso

  • Doutorado PROARQ