Teses e Dissertações

CIDADES DE RUÍNAS: Ambiências sensíveis em arquiteturas abandonadas

Tese de Doutorado

Nesta pesquisa teórico-argumentativa busca-se ampliar a compreensão do campo de estudo da cultura das ruínas e das ambiências, ou seja, da ruinologia que se desenvolve na seara da teoria da arquitetura, através de análises que ponderem não somente o caráter historiográfico das ruínas, mas que possam avançar para uma esfera amplificada, de método fenomenológico, que considere a experiência do corpo no exame de suas ambiências e tonalidades. A cultura das arquiteturas em ruínas vem passando por uma ruptura de significados nas últimas décadas. Se inicialmente nos séculos XVIII e XIX seu caráter nostálgico esteve atrelado às imagens idílicas, sublimes e pitorescas que rondavam reinterpretações de edifícios e cidades nos livros de arquitetura, no decorrer dos séculos XX e XXI, as mudanças drásticas na conformação arquitetural das cidades, juntamente à revolução das lentes ópticas, impactaram de modo indelével a cultura das ruínas. Para realizar esta tese, optou-se por um método fenomenológico de investigação, em que a estética e a experiência vivida da arquitetura conduzem a uma ação de infiltração em ruínas nas cidades de Petrópolis, no Brasil, e de Aarhus, na Dinamarca, definidos como espaços de interesse através de seus lugares abandonados. Desenvolvida nos moldes da experiência de exploração urbana do movimento urbex (urban exploration), a infiltração em ruínas é operada a partir de corpografias, na experiência in loco de escalar e cruzar ápices, janelas estilhaçadas, paredes, tetos e alvenaria disformes. As premissas fenomenológicas, portanto, servem de arcabouço para apurar a experiência da ruína contemporânea, que passa por uma perspectiva distinta dos séculos precedentes às grandes guerras. Na arquitetura da cidade contemporânea, a apreensão dos sentidos da ruína pode ser catapultada pelo fenômeno da percepção multissensorial, operado a partir de um repertório de registros imagéticos, situados em corpografias urbanas, que através, sobretudo, da utilização da fotografia como medium de comunicação de ambiências, tonalidades, atmosferas e da posterior découpage, e da mudança cromática como indutora da temporalidade difusa, ethos da essência ontológica da arquitetura em ruína, desvela, em última instância, elementos subjetivos estruturantes da aura de suas imagens fantasmagóricas. Essa mudança de paradigma enquanto resultado da pesquisa desenvolvida aponta para uma nova cultura visual das ruínas, indicando desse modo uma passagem da ruinologia para a ruinofilia, destronando a concepção pitoresca e patrimonialista preponderante nas abordagens teórico-históricas e, destarte, recolocando a discussão no campo da arquitetura e urbanismo, em uma perspectiva teórico-cultural, que verbaliza com o poder imagético da temporalidade para a compreensão do valor das ruínas. 

LINK DA TESE

Data: 30/10/2025

Pessoa

  • Bernardo da Silva Vieira
  • Daniella Martins Costa
  • Ethel Pinheiro Santana [Orientador(a)]
  • Niels Albertsen [Orientador(a)]
  • Octávio Carvalho Aragão Júnior
  • Rafael Ferreira de Souza [Autor(a)]
  • Rubens de Andrade

Linha de Pesquisa

  • Cultura e Paisagem

Curso

  • Doutorado PROARQ